segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Um pouco de História...

Existem no Rossão varias cartelas inscritas sobre torsas de portas, bem perto do antigo núcleo de casario do velho concelho, nos tempos em que esta aldeia dispunha de jurisdição própria, sendo uma espécie de “republica” ao estilo medieval françes .

O pelourinho símbolo de virilidade era também sinal de poder Real e Autonomia popular, testemunho vivo das atrocidades cometidas pelo poder judicial, ficava disposto num local de destaque no centro da vila, bem perto da antiga cadeia e casa do município.

Após lutas entre absolutistas e liberais, e com a vitória destes últimos, a aversão aos apoiantes do poder absoluto leva a que muitos desses pelourinhos sejam depostos dos seus locais e suas antigas cartas de foral bem como locais camarários desfeitos…

Contudo na aldeia do Rossão ainda hoje se podem observar cartelas muito antigas…com linguagem indecifrável, e o próprio pelourinho do século XVI ainda está de pé e no local original, assente em laje circular, contudo o seu capitel não mais é coroado..como se supõe ser, visto se encontrar uma cavidade em forma de meia laranja aberta no centro da pedra…

Em outros locais da aldeia, e em antigas casas de pedra encontram-se mais cartelas.. também indecifráveis e algumas acompanhadas de desenhos e respectivas datas de construção…algumas com estrelas lembrando a presença judia autorizada no concelho de Castro Daire por nosso Rei em 1517…

terça-feira, 2 de outubro de 2007

Helicoptero na piscina do Rossão

Depois de terem ateado o fogo bem perto da Aldeia de Cotelo... na Aldeia do Rossão, bastaram dois telefonemas para o número nacional de incêndios...e eis que de uma forma surpreendente ...passados 15 minutos, apareceriam duas avionetas e um helicoptro perto da ocorrência...bem como carros da Corporação de Bombeiros de Castro Daire....e respectiva Guarda Nacional Republicana...

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

A minha Casa I

Termo da Aldeia
Entre o arvoredo,
Que lua cheia
Tornava prata,
Poisada em flores.

Eis minha casa,
- um ninho em brasa -
A ouvir , senhores,
Vagos rumores
Duma cascata...

Humilde e leve,
De colmo a branquejar, de neve,
- Oh, sonhos meus!
Plena de amor,
Sorrindo à flor,
Tinha o calor
de Deus!
De umbreiras
Trigueiras,
Colmada a duas águas, baixinha, mui pura,
Sorria, modesta, na luz da ternura:
...As flores
...As cores
...Rumores
...Ventura...
Oitões musgosos,
Silenciados,
Rasgados de buracos, par a par,
Por onde a medo entrava o brando luar...
E no beiral
Esfumaçando,
Engolfado no fumo vaporoso,
Um ninho de esplendores, harmonioso,
Dum real pardal,
...Cantando.
E das janelas
Singelas,
A vista se alongava desde a fonte
Aos eminentes cumes , no horizonte:
...Aqui a seara, além a bouça, além o prado...
Mulheres novas a lavar e a cantar...
Por entre moitas, - que verdor! - pastava o gado...
Agonizantes, mil cincerros a tocar
in "Aldeia" de Rodrigues da Cunha

Jardins da Serra

Rosais de amor!
Cantões de amor!
Jardins de amor!
-Já vistes os outeiros e os florões,
As verdejantes costas e os cantões,
Da serra em flor?

Tapadas garridas
De urgeiras floridas,
De giestas floridas,
De tojos viçosos, de cardos ansiosos,
Sargaços dormentes, piornos umbrosos,
Regados por fontes nos matos ditosos,
Por fontes benzidas?
Cada ribada,
Vaga de flores
E resplendores...
Cada silvado,
Níveo rosal...
Todo o valado
Um lindo prado,
Mar encantado,
Céu estrelado,
Terra de amores,
Sonho doirado,
Oh, flores!
Pelos encerros,
Aos intervalos,
Há lírios brancos
A perfumá-los...
E os matagais
A ondular,
Marés de flores
Em preamar...
Pelos maninhos
Cheios de ninhos,
-Oh, que tesoiro!
O carquejal
É colcha real,
Em rosas de oiro!...

Cada lameiro
É um canteiro!...
in "Aldeia" de Rodrigues da Cunha