terça-feira, 21 de julho de 2009

Canastros



Os dois únicos existentes na Aldeia do Rossão... o primeiro pertencente a proprietário que inviabilizou o seu restauro, obrigando à construção de réplica, que se pode ver na segunda imagem, e que é propriedade da Liga dos amigos do Rossão.
Muitos se questionam... porque gastar dinheiro numa coisa sem utilidade? simples a resposta... será que os mais novos não devem entender o passado para poder construir o futuro? Teremos que saber de onde viemos... para saber para onde vamos.... as nossas raízes fazem parte de nós...

domingo, 12 de julho de 2009

Rodrigues da Cunha.....Poeta da Natureza


Joaquim Rodrigues da Cunha.... Grande Alma.... Nasceu na Aldeia do Rossão a 19 de Outubro de 1915, falecendo repentinamente a 7 de Setembro de 1972.

Poeta, Escritor e Padre, falava fluentemente italiano, espanhol, francês, latim e inglês, sendo patente o seu profundo domínio e conhecimento da língua mãe.


Um dos seus atributos " era a enorme simpatia pela Natureza e o amor entranhado à sua terra natal", intitulando-se poeta em acção, descrevia a poesia como " o índice intelectual e moral de um povo", gostava de citar um lírico espanhol , muito do seu agrado: « O poeta faz que o céu se abra sem sombra, sem erro, sem mito». (de Caminhos de Deus)

Estreou-se com o volume " A Aldeia" (1950) onde "canta em verso toda a poesia das aldeias de Portugal" (de A Voz)...mas exclusivamente dedicado à aldeia que o viu nascer....

"Os seus poemas são orações à vida no que ela tem de mais puro e nobre....não é apenas, embora opulento, pintor da natureza ou das almas simples, é um intérprete admirável do que há de sadio e bom no mundo" ( de O Século).


" Descobre-se nele toda a alma da Serra, na sua singeleza e bondade, na religiosidade dos seus costumes, no seu interessante falar..." (de A Voz de LAMEGO).

Em 1956 é editada a primeira obra de género literário intitulada de " A Moleirinha das Fragas", sendo um romance essencialmente rural.

"Nas páginas do seu livro o autor manifesta a mesma inspiração e o mesmo equilíbrio, debruçando-se sobre o mistério rústico da nossa paisagem e dos conflitos da sua cristã e laboriosa população.

Há descrições que são autênticas aguarelas, valorizadas por um estilo fácil e leve, que acentua mais a mensagem de exaltação da vida rústica deste livro e que nos garante a forte e brilhante personalidade de Rodrigues da Cunha" (de O Século).

Mas "o que mais nos seduz neste romance campesino é o seu estilo literário. Rodrigues da Cunha domina a nossa língua como raros escritores de hoje." (do Diário de Notícias).


"Luz na montanha" surge em 1960 tendo como cenário a Aldeia de Picão, narrando a epopeia de um presbítero ao serviço de uma paróquia com toda a tradicional gente das beiras...sendo cada personagem caracterizada com estilo inconfundível.



A sua última obra " A Fidalga do Balsemão" sendo editada em 1966, corrobora os dotes de domínio da linguagem e descrição, aproximando-se de um género literário ao estilo de Camilo Castelo Branco.

Toda a vida deste Poeta foi dedicada essencialmente ao progresso e engrandecimento da sua amada terra: o Rossão, tendo personalidade dinâmica, por onde passou deixou sua "marca" e edificação num estilo inconfundível. No Rossão ainda hoje é lembrado como Homem a quem se deve muito....

Incontornável diplomata, possibilitou a viabilização de muitos projectos nomeadamente na área da Educação com a construção da Escola Primária...a vinda das linhas telefónicas... os correios...e construção de vias de acesso sem as quais o Rossão ficaria isolado... Por tudo isto e pelo Amor dedicado à Terra...muito Obrigado em nome do povo do Rossão.

Do mesmo modo entusiástico e empreendedor... constrói em Vila Nova de Paiva, terra onde foi pároco, o Colégio de Santa Maria e funda o boletim paroquial o " O Correio do Paiva".


Em 1951 ganha o primeiro prémio no concurso "Poesia Heróica", em 1947 com o tema "Ressureição" obteve o segundo lugar e no Certame Internacional de Sevilha com a poesia "Matinas", obteve vários louvores.

Consta que próximo da seu desaparecimento...ainda escrevia uma obra literária que nunca terminou...apenas alguns rascunhos...que acabaram por ser queimados...


O Poeta, esse jaz em modesta campa rasa do cemitério de Gosende, uma cruz com seu nome à cabeceira, à sombra dum cipestre muito verde. Por cima da lápide sepulcral, livro de mármore aberto ao meio, o epitáfio que Rodrigues da Cunha escrevera em a Luz da Montanha, para uma das figuras mais simpáticas do romance:


 
«REPOUSA NO SENHOR, ALMA SERRANA, TÃO GRANDE COMO O FIRMAMENTO»

quarta-feira, 22 de abril de 2009

SINOS DA PÁSCOA

Era dia de Páscoa. O Sol ardente.
Nos campanários altos, engraçados,
Bimbalhavam os sinos encantados,
Tombando aleluias sobre a gente.
Cristo Ressuscitado, refulgente,
Andava percorrendo os ajoelhados.
E de lábios ainda ensanguentados,
Parecia dizer tranquilamente:
- Ouvis nos campanários a exultar
Exércitos de sinos a dobrar
De alegria cristã pelo Senhor?
Ó meus filhos, orai p´ra que jamais
Desfaleçam os sinos pascoais,
Anunciação de PAZ, VITÓRIA, AMOR.


in " A Aldeia" de Rodrigues da Cunha

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

O cultivo

Passando por me cultivar,
Seja esta a última vez,
não me quero cultivar,
com couves e rabanetes,
nem sementear ou aflorar
só quero deixar-me conquistar,
pela cultura do ar,
levar e deixar,
passando por me cultivar,
sem nada deixar escapar,
no intuito de fabricar,
esta arte de imaginar,
e reproduzir algo a criar,
seja em tela, escultura ou na escrita,
basta elaborar o que nos rodeia o pensamento,
tudo o que tenho a deixar,
para a posteridade,
ou para a eternidade,
o melhor que possa aceitar,
na complicada arte de amar,
o que dê mais prazer em criar,
a forma intima de realizar,
os nosso sonhos,
os encontros de ideais,
os gostos e os ódios,
as diversas maneiras,
de fabricar as ideias,
seja na escrita, na tela ou esculpidas.



in: "Compilação dispersa" de Zé Manuel Barbedo

Vacas






sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Quem acode às nossas árvores?

Situada a mais de 1000 metros de altitude, a Gralheira não possui arvoredo em abundância. Ainda assim é o amieiro e o carvalho que mais predominam. Há carvalhos com séculos de existência, que nossos pais e avós souberam defender e preservar. Embora tivessem necessidade absoluta de lenha, que compravam em Vale de Papas, não se atreviam a cortar um carvalho para queimarem. Só quando precisavam de fazer um carro ou armar uma casa, é que lhes encostavam o machado ou a serra. Vendê-las? Nem pensar. Viam nessas árvores uma herança, umas relíquias conservadas por seus avós. Tinham-lhe amor. Sentavam-se à sua sombra e orgulhosamente diziam:


- Que ricas árvores que os meus pais me deixaram!


Agora porém tudo parece ser esquecido, em troca de uns magros escudos. Aparecem aqui uns indivíduos à procura de madeira e muitos não hesitam em vender as preciosas árvores que os pais tanto estimaram e que à custa de sacrifícios lhes quiseram deixar. Se o preço fosse tentador e tivessem necessidade de vender, ainda se compreendia: Agora vendê-las a mil escudos cada, como se tem visto por aí, é triste, é desolador, é desumano! Temos que ter consciência de que as árvores que nos deixarem não são nossas, fazem parte da paisagem da nossa terra, que é de todos. a sombra que nos oferecem; o oxigénio e o vapor de água que libertam; a beleza que emprestam à paisagem, são benefícios de que todos usufruímos. Muitos vendem as árvores sem necessidade, como já disse. Quantas vezes esse dinheiro é gasto num passeio ou em almoços fora de casa. Quando regressam o que encontram? O dinheiro desapareceu e as lameiras lá estão nuas, desérticas, torradas ao sol, sem verdura, sem sombra, sem vida! Muitas gerações vão ficar privadas dos benefícios que essas árvores agora cortadas, lhes podiam oferecer, até que outras cresçam e encontrem pessoas mais conscientes que as saibam respeitar e conservar.

Não há razão nenhuma para dizimar as árvores desta forma, nem mesmo invocando o motivo de que as folhas caídas prejudicam o crescimento da erva. Muitas lameiras já não são cortadas, porque as vacas estão a desaparecer.



Já bastam os incêndios para destruírem toda a vegetação, todos os arbustos de menor porte.



Não vendam, cortem as árvores sem necessidade! Preservem a floresta, salvem o ambiente que é a nossa maior riqueza!

Gralheira 24 de Setembro de 1992


in Jornal "A Voz de Lamego", autoria de Carlos de Oliveira Silvestre

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Por Ficar Parado

Deixaste de pintar,
deixaste de escrever,
pensas-te em partir,
mas nada fizeste por ir,
estás a florir
estás a sorrir,

Só morreste,
não sobreviveste,
morreste
só e abandonado,
com tudo o que fizeste.


Autoria de: Zé Manuel Barbedo
in: Compilação dispersa

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Estes nossos Amores, que nos dão dores

E nunca se irão esquecer,
o seu primeiro beijo,
o primeiro toque de desejo,
que o amor veio enaltecer,
estes dois amantes,
como se fosse obra do destino,
estar disposto da forma mais simples.
Quando se é mais do que bonito,
é ser aceite pelo nosso amor,
pois não é de beleza que falo,
mas de tudo que sinto,
por isso não me calo,
como as manhãs do galo,
e digo-o bem alto,
que forte amor,
desejo e emoção,
que sinto neste coração,
como se de um simples desejo se tratasse,
ou de um sentimento que se alcançasse,
dentro do teu próprio ser.
Para ter quando o meu ser quiser ter,
este bem, o amor de ti para mim,
como se trata-se de um desejo sem fim,
como o tempo que passa por mim,
e nada diz sem que leve algo de mim,
um só sopro de desejo neste leito de prazer.
Sei que não por muito tempo,
o desejo se estende,
esperaremos pacientemente que não passe,
pelo fim sem ter um início.


Autoria de: Zé Manuel Barbedo
in compilação dispersa

O Pelourinho do Rossão (séc. XVI)

No meio de um irregular traçado de casas, muito velhas e pequeninas...prostrado do alto de uma formação granítica elevada, defendido por uma muralha de roseiras, amores-perfeitos, malmequeres e hortênsias ...eis que surge airoso o pelourinho...onde à muito se desfraldou a bandeira portuguesa...às mãos do Tio José da Luz...o seu mais zeloso guardador.

Consta que é um monumento do séc. XVI, classificado como Imóvel de Interesse Público (Decreto nº23 122, de 11-10-1933), e faz parte do ciclo
dos únicos pelourinhos existentes em todo o concelho, recordando que apenas subsistem até aos dias de hoje as picotas de Castro Daire, Mões, Campo Benfeito e Alva (Fragmentos).

Embora a recordação dos antigos privilégios municipais tenha praticamente desaparecido...resta ainda o local que se designa por cadeia ou prisão...bem perto desse pequeno largo onde se encontra o pelourinho, que nos dias de hoje serve de habitação, e que foi totalmente alterada no seu delineamento original.




É a seguinte a descrição que Mário Guedes Real nos faz do pelourinho do Rossão, na revista “Beira Alta”, vol. XXIV, 3 , p. 300: “Eis o monumento; sobre uma lage circular- talvez antiga mó de moinho- com cerca de um metro de diâmetro e bordos grosseiramente boleados ou já carcomidos pelo tempo, assenta uma coluna baixa de granito, de secção quadrangular, com as arestas chanfradas na sua maior extensão. O desfazer dos chanfros na parte inferior forma-se a base com quatro faces de 15 centímetros de altura. Superiormente, com idêntico afeiçoamento, destaca-se o remate formado pela parte terminal da mesma peça inteiriça, concordante com a referida base mas um pouco mais alta (20 cm aproximadamente).
O bloco prismático está firmado no centro da peça circular por um robusto espigão com 2 palmos de comprimento, o qual, inferiormente não é mais do que o prolongamento da coluna e que atravessando o olhal da lage, desce para o intervalo existente entre os dois penedos em que repousa o assento da picota. Ao cimo, no remate quadrangular, vê-se uma cavidade em forma de meia-laranja, aberta no centro da pedra. Supomos que primitivamente aí terá existido uma esfera ou bolo de granito a coroar o monumento, à semelhança do pelourinho de Mões. Essa pedra esférica terminal terá desaparecido.”

sábado, 19 de julho de 2008

Intervenção no património do Rossão

Capelinha de Nossa Senhora da Lapa














Foram realizados arranjos na área envolvente da Capelinha de Nossa Senhora da Lapa, foi feita uma calçada de pedra à portuguesa, que deu lugar a um caminho plano em vez das inúmeras giestas e vegetação envolvente que apenas possibilitavam as rezas dos fiéis através de um pequeno carreiro anteriormente visível no chão.



A Rua do Cruzeiro tem agora iluminação durante o período da noite, pondo a descoberto o monumento que data de 1922.







A fonte do largo da Carreira










A fachada da fonte do Largo da Carreira, bem conhecida por todos os que vão ao Rossão, beber a sua água sempre fresca durante todo o ano, conta agora com uma intervenção que mudou a sua aparência...






Surge agora com o granito completamente limpo, e os intervalos das suas pedras revestidos de cimento, bem como a sua porta cor-de-laranja, quedou-se (a meu ver para melhor) para um tom verde escuro. As flores e Arvoredo que pendiam para a fonte acabaram por ser erradicados da parte cimeira, dando um aspecto mais limpo e desnudo ao monumento que data de 1880, reinado de D.Luís.


Fontanário das traseiras da capela do Rossão



Em virtude do Autocarro de passageiros passar por esta rua, e visto que neste local não existia paragem para os habitantes se resguardarem da chuva, foi reconvertido o fontanário num Abrigo/Paragem para o referido efeito. As obras constaram num acrescento de granito, e na colocação de um pequeno telhado a coroar o monumento,com o objectivo de não descaracterizar a paisagem junto ao local de culto mais significativo do Rossão.